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Quando a alimentação reflete emoções, crenças e comportamentos complexos

Quando a alimentação reflete emoções, crenças e comportamentos complexos

Há relações com a comida que deixam de ser apenas sobre comida. Podem envolver ansiedade, controlo, autoestima, imagem corporal, emoções ou relações familiares. É neste território, onde alimentação, corpo, comportamento e saúde mental se cruzam, que o NIITE lança a sua nova Consulta da Perturbação do Comportamento Alimentar.

Num mês particularmente importante para a promoção da saúde mental, o Dia Mundial da Alimentação, assinalado a 16 de outubro, convida-nos a refletir sobre a nossa relação com aquilo que comemos.

A alimentação não responde apenas à fome ou às necessidades nutricionais. Quando esta relação se torna rígida, angustiante ou difícil de controlar, pode traduzir sofrimento psicológico e merece atenção especializada.

A anorexia nervosa, a bulimia nervosa, a perturbação de ingestão alimentar compulsiva e a perturbação de ingestão evitante/restritiva são algumas das problemáticas nesta área. Existem também relações disfuncionais com a alimentação, o peso ou a imagem corporal que não correspondem, necessariamente, a um diagnóstico específico.

A nossa atuação nesta área resulta do percurso do NIITE na procura de respostas cada vez mais completas e integradas para as necessidades das pessoas e famílias. Algumas problemáticas exigem diferentes perspetivas profissionais para serem verdadeiramente compreendidas e intervencionadas. A intervenção assenta numa abordagem multidisciplinar, articulando Psicologia Clínica e Sistémica, Psicomotricidade, Nutrição, Pediatria, Pedopsiquiatria e Endocrinologia. A Psicologia contribui para compreender as dimensões emocionais, comportamentais e relacionais; a Nutrição acompanha as necessidades nutricionais e a relação com os alimentos; a Pedopsiquiatria avalia a saúde mental e possíveis comorbilidades; a Pediatria e a Endocrinologia acompanham as repercussões físicas e metabólicas; e a Psicomotricidade trabalha a perceção corporal e a relação com o próprio corpo. Esta articulação é especialmente relevante na infância e adolescência, etapas em que a família e os diferentes contextos de vida assumem um papel fundamental.

Não queremos olhar apenas para aquilo que a pessoa come. Queremos compreender quem é, o que sente, como se relaciona com o corpo, que contexto familiar e social a envolve e que fatores podem estar a manter as dificuldades.

Os primeiros sinais podem ser subtis: uma preocupação crescente com o peso ou a imagem corporal; uma dieta que passa a dominar as rotinas; culpa após as refeições; evitamento alimentar; ou episódios de perda de controlo. Reconhecer estes sinais e procurar ajuda atempadamente fará toda a diferença.

Com esta nova consulta, o NIITE reforça o compromisso com uma intervenção especializada, integrada e próxima, centrada na pessoa e na família, e não apenas no sintoma.

Cuidar da relação com a alimentação é também cuidar da relação com o corpo, com as emoções e com a própria vida.

Esta reflexão terá continuidade no dia 13 de novembro, quando o NIITE assinalar o seu 3.º aniversário com uma tarde dedicada às Perturbações do Comportamento Alimentar. O encontro promoverá a reflexão, a partilha e o diálogo entre diferentes perspetivas profissionais relativamente aos desafios destas problemáticas e a importância de uma intervenção articulada.

O programa completo será divulgado em breve.


Tânia Botelho

Coordenadora Clínica do NIITE



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